199. Começa novembro no ano sem primavera e que não promete verão. Do calor do início do ano já esqueceu. Desde março tudo é frio. Precisa do aquecer. Risca um fósforo, acende uma vela, prepara um chá, busca um cobertor e abre um poema.
17. A dispensa sem o pagamento semanal foi a decisão do condomínio onde trabalho como jardineiro. Olho a roseira da minha casa: eu deveria ter plantado flores comestíveis!
121. Era verão quando o Botão morreu. A Formiga espalhou: a culpa é da flor. Todos acreditaram. Retiraram as pétalas da Rosa, puxaram o caule, jogaram no chão. Entre as árvores, o Pulgão, sendo abanado com uma folha pela Formiga, gargalhava.
27. Encontrou o velho casaco no armário. O tricô fez lembrar das mãos que o teceram. Vestiu, sentindo um abraço. Encontrou as agulhas no fundo da gaveta, junto com os novelos de lã de invernos distantes. Colocou os pontos, guiada pela voz memória do afeto.
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