180. Ninguém entendeu o choro dele diante da televisão. O menino explicou soluçando que tava com muita pena do tio Manuel, o dono da bodega da esquina, porque ele sempre contava as notas colocando o dedo na boca.
121. Era verão quando o Botão morreu. A Formiga espalhou: a culpa é da flor. Todos acreditaram. Retiraram as pétalas da Rosa, puxaram o caule, jogaram no chão. Entre as árvores, o Pulgão, sendo abanado com uma folha pela Formiga, gargalhava.
123. O capitalismo criativo amplia a função dos objetos: o guarda-sol, objeto para proteção, agora é também de abandono. A economia segue crescendo, o supermercado lotado e o funcionário invisível.
196. O vento uivava. No décimo andar: os pelos do gato eriçados e os batimentos do coração da criança acelerados. Os vidros da janela tremiam como a mãe paralisada diante da cena.
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