2.Cada
um com a sua batida: o estudante no liquidificador, o policial no morro, o solitário
na punheta, o pedreiro no martelo, o músico no tambor, o cidadão de bem na
mulher, o lúcido na panela.
17. A dispensa sem o pagamento semanal foi a decisão do condomínio onde trabalho como jardineiro. Olho a roseira da minha casa: eu deveria ter plantado flores comestíveis!
121. Era verão quando o Botão morreu. A Formiga espalhou: a culpa é da flor. Todos acreditaram. Retiraram as pétalas da Rosa, puxaram o caule, jogaram no chão. Entre as árvores, o Pulgão, sendo abanado com uma folha pela Formiga, gargalhava.
27. Encontrou o velho casaco no armário. O tricô fez lembrar das mãos que o teceram. Vestiu, sentindo um abraço. Encontrou as agulhas no fundo da gaveta, junto com os novelos de lã de invernos distantes. Colocou os pontos, guiada pela voz memória do afeto.
Comentários
Postar um comentário